segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Muito além da violência escolar

Quando decidimos pelo nosso tema do Trabalho de Conclusão de Curso, tínhamos alguma ideia do que esperávamos encontrar, é claro. Depois de algumas semanas de entrevistas com professores de variadas regiões e escolas, descobrimos que nosso tema aborda muito mais do que violência contra professores e nos sentimos na obrigação de pincelar algumas delas no nosso livro-reportagem.

Acabamos nos deparando com situações e depoimentos críticos. Não encontramos apenas professores que são violentados diariamente, mas também pessoas que já estão, no nosso entendimento, descontroladas psicologicamente. Pelos relatos que temos, a falta de estrutura total da educação colabora, e muito, para a falta de estabilidade psicológica de alguns.

“Um mês atrás um professor bateu a cabeça na parede, ficou tão nervoso com a aluna que eu, que estava dando aula, tive que sair e atuar como mediadora. Ele perdeu a paciência com a aluna. Ele se sentiu acuado e não podia agredir, claro. Então começou a bater com a cabeça na parede na frente dos alunos”, contou uma educadora ao projeto “SOS Professor”.

A falta de educação dos alunos contribui, mas outros pontos colaboram para o quadro que encontramos hoje na educação. A falta de estrutura escolar e familiar, o tráfico de drogas e a inclusão desordenada são alguns dos fatores citados pelos professores entrevistados pelo grupo.

“Chamamos a mãe e ela diz: ‘eu não acredito que vocês me chamaram aqui pra dizer que ele não faz a lição! É pra isso que vocês me chamaram aqui? Eu tenho treze filhos! Você acha que eu tenho tempo de ficar aqui ouvindo que ele não tá fazendo lição?’”, conta outra professora.

Além do descaso dos pais, também ouvimos educadores que reclamaram da falta de tratamento psicológico. “Tem um professor lá que está dando aula com sonda, porque não dão afastamento. É tudo meio apertadinho, não tem pátio, o Estado não tem essa estrutura de ver o professor, de ver que o professor precisa de um apoio psicológico”, exemplificou uma educadora de São Paulo.

Outra ainda alertou para o problema da inclusão desordenada. A lei obriga a inclusão, mas é falha e não treina ninguém para lidar com essas pessoas nas escolas. “Eu também acho que a gente tem de aceitar o aluno especial, mas eu acho que a gente tem de ter na escola alguém ou alguma coisa que possa dizer quais são as necessidades deles, né? Porque a gente não é habilitado pra lidar. Eu não sou, eu não sei lidar”, contaram ao blog.

É lógico que não consigo detalhar todos esses problemas em um post do blog, seria impossível. O tráfico de drogas influi diretamente no dia a dia da escola e não foi abordado apropriadamente nesse post, foi apenas citado porque merece um post sozinho. Temos depoimentos variados, até dos que acabam defendendo o tráfico para o bom andamento das atividades escolares.

“Ele (aluno) continuava trabalhando pro tráfico, todo mundo sabia, eu sabia [...] Eu não ia bater de frente com ele, sabe?”, disse uma entrevistada. Essa frase sintetiza bem a realidade. Numa outra ocasião, detalhamos o assunto.

Até mais!

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