Vários de nossos entrevistados reclamam: A prioridade dos alunos hoje não é aprender, entrar numa faculdade, nada disso. É simplesmente fazer parte de um ritual obrigatório pela lei, ou, no caso dos mais velhos, passar um tempo longe dos pais. Até eles, aliás, muitas vezes tem um pensamento parecido: "Eu mando ele para a escola pra ver se ele para de enxer o saco em casa".
Como lidar, então, com alunos que não se importam com o que o professor tem a dizer, ridicularizando-o, ignorando-o e etc? Ameaçando uma expulsão que dificilmente se concretizaria? Levando os problemas para fora da sala de aula, a diretores e coordenadores?
Revidando as grosserias e palavrões na mesma moeda? Mostrando quem manda, punindo com mais rigidez? Tornando-se amigo, falando de igual para igual?
Entrevistei recentemente dois professores que trabalharam em escolas cheias de bandidos e protagonistas do tráfico de drogas em seus bairros. Eles acreditam que, em um ambiente assim, o mais importante é falar a mesma língua que eles. Mostrar, de forma clara para eles, que o que está sendo ensinado tem algum valor para a vida dos alunos.
Não é preciso usar palavrões, xingar. É questão de demonstrar que ele depende do professor assim como o professor depende da atenção dele.
Mas não é fácil, claro. Não é facil tornar-se "amigo" dos alunos sem perder a autoridade sobre eles. A linha entre o "ser amigo" e "ser um professor amigo" é muito fina. É preciso experiência e reflexão para não não perdê-la de vista.
A dificuldade em enxergar essa "faixa amarela" é apenas um dos problemas que abordamos na elaboração de nosso livro-reportagem. Acompanhe o blog para saber de mais.
Se quiser saber mais sobre o histórico das relações entre aluno e professor e índices de violência nas escolas nos últimos anos, leia o nosso pré-tcc aqui.
terça-feira, 10 de agosto de 2010
A faixa amarela
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