domingo, 31 de outubro de 2010

Prévia do "SOS Professor"

Olá!

O "SOS Professor" já está na gráfica para ser impresso. Nesta quarta-feira receberemos a prova. Até agora tudo certo, o livro ficou do jeito que queríamos.
Aqui vai uma prévia: a capa do livro.



Até mais!

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Últimos passos

O SOS Professor já está em sua fase final. Depois de quase 10 meses de pesquisas, entrevistas, produção, dúvidas e correções, nosso livro está prestes a ser encaminhado à revisão. Depois, só faltará a diagramação e impressão. Parece pouco, mas ainda vai levar tempo e dar muito trabalho até chegar ao produto final que nós esperamos.

E apesar do nosso livro ainda não estar pronto, muita coisa já aconteceu de fevereiro pra cá. Conhecemos histórias interessantes, visitamos escolas em bairros violentos, fomos impedidas de aplicar questionários do TCC em escolas de bairros de melhor padrão, entre tantas outras coisas.

Mas nada se compara ao prazer de escrever cada história, de tranformar tudo o que ouvimos em textos que retratassem fielmente os fatos tristes e felizes vividos por professores das escolas públicas.

Agora, a expectativa maior é para ter o SOS Professor nas mãos, folhear esse livro escrito com tanto carinho e dedicação - e, o mais importante, sem brigas!

Tenho certeza de que vai ser muito melhor ler nossas histórias novamente, depois de tantas releituras, quando estiverem no formato ideal de um livro-reportagem, desse tipo que tanto lemos, mas acho que pouco imaginamos que um dia iríamos produzir.

Eu quero folhear o SOS Professor, mas também quero que muitas outras pessoas leiam. Quero que o nosso livro possa desempenhar o papel social que sempre vimos nele, de alertar, por meio de histórias reais, para um assunto que envolve tantas pessoas.

Contagem regressiva... Vamos lá!!!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Dia de pré-conceitos

Olá!

Na semana passada, nós fomos até uma escola pública de São Vicente, litoral de São Paulo, para conversar com alguns alunos, saber como eles vêem a escola e como seria um professor ideal. Cinco jovens do 3º ano do Ensino Médio vieram falar conosco.

Para ser bem sincera, esperávamos ter de forçar aqueles adolescentes a falar. Que as respostas seriam "aham", "uhum", "é isso mesmo", etc. Qual foi a nossa surpresa? Todos falavam bem e desenvolveram boas respostas, o que ajudou muito a montar um panorama do que eles esperam do ensino.

Docentes mal-educados e que não impõe limite para a classe simplesmente não têm vez. "Às vezes nem dá bom dia e já começa a escrever na lousa", reclama uma das meninas, a mais falante. Em geral, todos sentem falta de uma parceria com o professor. "Não precisa ser melhor amigo, mas tem de conhecer o aluno", opina outra.

A reclamação sobra também para a dinâmica de aula. Eles nos contaram que o método "giz-lousa" faz com que eles percam a vontade de frequentar a escola. "As aulas são sempre iguais, muito monótonas. São 100 aulas normais pra uma diferente. Uma vez por semana podia ter dinâmica", comenta um dos meninos.

O que nos espantou foi que nada do que eles falaram é impossível de se ter. Se houvesse um esforço mínimo da direção e dos professores, eles se interessariam mais pelas aulas. Esperávamos também que eles vissem os docentes como "bobos", o que se provou uma inverdade. Os alunos admitiram que é uma profissão desgastante psicologicamente. "Ser professor não é fácil. Tem de ter paciência", comentaram.

Fomos até a escola com muitos pré-conceitos, esperando muita coisa.Quando voltamos de lá, tudo tinha caído por terra. Acho que seria interessante se as escolas ouvissem seus alunos também. Uma reunião rápida (como foi a nossa) tiraria muitas dúvidas e resolveria muitos problemas de diálogo.

Até a próxima!

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Silvinha no País das Maravilhas

Carinho. É o que melhor define a forma com que Silvinha olhava para cada um dos alunos do centro educacional que dirigia. Havia os que apanhavam dos pais, os que tinham vindo da Febem, os que tinham pais na cadeia... Não importava. Ela sentia que carinho era o que faltava para todos eles; e eles receberiam isso em sua escola a qualquer custo.

Como em todos os dias, a coordenadora baixinha, gordinha e com os cabelos loiros impecavelmente escovados, passava os olhos pelas filas de crianças que se preparavam para entrar na sala de aula. E tudo parecia estar bem naquele dia... Mas ali, perto de onde ficavam os alunos do quarto ano, havia alguma coisa errada.

Uma cor azulada subia pelo rosto do garoto de dez anos. Marcos, cheio de raiva, estava enforcando-o.

Silvinha não pensou duas vezes: correu para separar a briga. Empurrou Marcus e virou-se para ver se o outro estava bem. Marcus, vermelho, começou a dar chutes altos na professora, até que ela caiu no chão com o ombro deslocado.

Por conta desse episódio, há mais de um mês ela comparece religiosamente à fisioterapia. Quanto ao aluno? "Ele pediu desculpas, não foi de propósito. É do tipo que agredia verbalmente o professor, falava palavrões... Mas comecei  atrabalhar com ele separadamente, e ele foi melhorando. Tenho o maior carinho por ele. Foi rejeitado pela família, tadinho. A mãe disse que estava cansada dele..."

O carinho de Silvinha por seus alunos é tanto que ela já chegou até a adotar alguns. Quando pedi que ela contasse histórias em que teria sofrido violência na escola, ela raramente lembrava. Mencionava apenas a situação inversa: professoras "malvadas" e "insensíveis" que não sabiam como lidar com crianças problemáticas.

"Eu tinha mais problema com a mãe do que com o aluno. Elas tem ciúme. Às vezes a criança gosta mais de você do que da própria mãe. Sabe, minha sala de direção era muito bonita, tinha brinquedos, tudo que criança gosta e quando acabava o expediente, alguns iam pra lá. E tinha mãe que não gostava disso... Sempre tive um carinho muito, muito especial." E reafirma: muitas mães não gostavam muito dela, mas ninguém jamais chegou a ameaçá-la ou agredi-la.

***

"A realidade dela é tão ruim  que ela achou um jeito de acreditar que seja melhor. E conta isso para as pessoas". Essa declaração sobre Silvinha é de uma supervisora de ensino. Ela, a Secretária de Educação e várias outras pessoas que já trabalharam com a professora até deram risada ao ouvir o resultado da entrevista que gerou a história narrada acima. Várias inverdades. Tantas que a personagem nem mesmo faz parte do livro SOS professor. Estamos falando de um produto jornalístico, não é mesmo?

Vejamos um exemplo. A sala de direção "muito bonita" que Silvinha descreveu era, segundo a Secretária da Educação, um lugar extremamente desorganizado e sujo. Havia um toque pessoal: paredes cor-de-rosa. Mas havia carteiras quebradas, papéis espalhados para todo lado, computadores velhos... Quem chegava não encontrava nem mesmo onde sentar.

Silvinha também não era tão querida em sua escola como conta. Na verdade, segundo uma supervisora de ensino, as mães dos alunos ameaçaram fazer um panelaço caso ela não saísse dali. Alegavam que ela tentava ensinar religião à força, e que era uma mulher completamente louca. Acabou transferida para outro Centro Educacional.