quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Convite
Nosso livro ficou pronto e já foi entregue oficialmente.
Venho aqui para fazer um convite a todos que queiram ver nossa apresentação!
Dia: 10/12/2010
Local: Anfiteatro do Ed. Capa
Universidade Metodista de São Paulo
Rua Alfeu Tavares, 149
Rudge Ramos - São Bernardo do Campo - SP
Hora: 9h10
Convidamos para participar da banca o diretor de redação da revista Nova Escola, Gabriel Grossi, e o professor Jorge Tarquini. Além, é claro, da nossa orientadora Verónica Cortes.
Esperamos todos lá!
domingo, 31 de outubro de 2010
Prévia do "SOS Professor"
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Últimos passos
E apesar do nosso livro ainda não estar pronto, muita coisa já aconteceu de fevereiro pra cá. Conhecemos histórias interessantes, visitamos escolas em bairros violentos, fomos impedidas de aplicar questionários do TCC em escolas de bairros de melhor padrão, entre tantas outras coisas.
Mas nada se compara ao prazer de escrever cada história, de tranformar tudo o que ouvimos em textos que retratassem fielmente os fatos tristes e felizes vividos por professores das escolas públicas.
Agora, a expectativa maior é para ter o SOS Professor nas mãos, folhear esse livro escrito com tanto carinho e dedicação - e, o mais importante, sem brigas!
Tenho certeza de que vai ser muito melhor ler nossas histórias novamente, depois de tantas releituras, quando estiverem no formato ideal de um livro-reportagem, desse tipo que tanto lemos, mas acho que pouco imaginamos que um dia iríamos produzir.
Eu quero folhear o SOS Professor, mas também quero que muitas outras pessoas leiam. Quero que o nosso livro possa desempenhar o papel social que sempre vimos nele, de alertar, por meio de histórias reais, para um assunto que envolve tantas pessoas.
Contagem regressiva... Vamos lá!!!
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Dia de pré-conceitos
Na semana passada, nós fomos até uma escola pública de São Vicente, litoral de São Paulo, para conversar com alguns alunos, saber como eles vêem a escola e como seria um professor ideal. Cinco jovens do 3º ano do Ensino Médio vieram falar conosco.
Para ser bem sincera, esperávamos ter de forçar aqueles adolescentes a falar. Que as respostas seriam "aham", "uhum", "é isso mesmo", etc. Qual foi a nossa surpresa? Todos falavam bem e desenvolveram boas respostas, o que ajudou muito a montar um panorama do que eles esperam do ensino.
Docentes mal-educados e que não impõe limite para a classe simplesmente não têm vez. "Às vezes nem dá bom dia e já começa a escrever na lousa", reclama uma das meninas, a mais falante. Em geral, todos sentem falta de uma parceria com o professor. "Não precisa ser melhor amigo, mas tem de conhecer o aluno", opina outra.
A reclamação sobra também para a dinâmica de aula. Eles nos contaram que o método "giz-lousa" faz com que eles percam a vontade de frequentar a escola. "As aulas são sempre iguais, muito monótonas. São 100 aulas normais pra uma diferente. Uma vez por semana podia ter dinâmica", comenta um dos meninos.
O que nos espantou foi que nada do que eles falaram é impossível de se ter. Se houvesse um esforço mínimo da direção e dos professores, eles se interessariam mais pelas aulas. Esperávamos também que eles vissem os docentes como "bobos", o que se provou uma inverdade. Os alunos admitiram que é uma profissão desgastante psicologicamente. "Ser professor não é fácil. Tem de ter paciência", comentaram.
Fomos até a escola com muitos pré-conceitos, esperando muita coisa.Quando voltamos de lá, tudo tinha caído por terra. Acho que seria interessante se as escolas ouvissem seus alunos também. Uma reunião rápida (como foi a nossa) tiraria muitas dúvidas e resolveria muitos problemas de diálogo.
Até a próxima!
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Silvinha no País das Maravilhas
Como em todos os dias, a coordenadora baixinha, gordinha e com os cabelos loiros impecavelmente escovados, passava os olhos pelas filas de crianças que se preparavam para entrar na sala de aula. E tudo parecia estar bem naquele dia... Mas ali, perto de onde ficavam os alunos do quarto ano, havia alguma coisa errada.
Uma cor azulada subia pelo rosto do garoto de dez anos. Marcos, cheio de raiva, estava enforcando-o.
Silvinha não pensou duas vezes: correu para separar a briga. Empurrou Marcus e virou-se para ver se o outro estava bem. Marcus, vermelho, começou a dar chutes altos na professora, até que ela caiu no chão com o ombro deslocado.
Por conta desse episódio, há mais de um mês ela comparece religiosamente à fisioterapia. Quanto ao aluno? "Ele pediu desculpas, não foi de propósito. É do tipo que agredia verbalmente o professor, falava palavrões... Mas comecei atrabalhar com ele separadamente, e ele foi melhorando. Tenho o maior carinho por ele. Foi rejeitado pela família, tadinho. A mãe disse que estava cansada dele..."
O carinho de Silvinha por seus alunos é tanto que ela já chegou até a adotar alguns. Quando pedi que ela contasse histórias em que teria sofrido violência na escola, ela raramente lembrava. Mencionava apenas a situação inversa: professoras "malvadas" e "insensíveis" que não sabiam como lidar com crianças problemáticas.
"Eu tinha mais problema com a mãe do que com o aluno. Elas tem ciúme. Às vezes a criança gosta mais de você do que da própria mãe. Sabe, minha sala de direção era muito bonita, tinha brinquedos, tudo que criança gosta e quando acabava o expediente, alguns iam pra lá. E tinha mãe que não gostava disso... Sempre tive um carinho muito, muito especial." E reafirma: muitas mães não gostavam muito dela, mas ninguém jamais chegou a ameaçá-la ou agredi-la.
***
"A realidade dela é tão ruim que ela achou um jeito de acreditar que seja melhor. E conta isso para as pessoas". Essa declaração sobre Silvinha é de uma supervisora de ensino. Ela, a Secretária de Educação e várias outras pessoas que já trabalharam com a professora até deram risada ao ouvir o resultado da entrevista que gerou a história narrada acima. Várias inverdades. Tantas que a personagem nem mesmo faz parte do livro SOS professor. Estamos falando de um produto jornalístico, não é mesmo?
Vejamos um exemplo. A sala de direção "muito bonita" que Silvinha descreveu era, segundo a Secretária da Educação, um lugar extremamente desorganizado e sujo. Havia um toque pessoal: paredes cor-de-rosa. Mas havia carteiras quebradas, papéis espalhados para todo lado, computadores velhos... Quem chegava não encontrava nem mesmo onde sentar.
Silvinha também não era tão querida em sua escola como conta. Na verdade, segundo uma supervisora de ensino, as mães dos alunos ameaçaram fazer um panelaço caso ela não saísse dali. Alegavam que ela tentava ensinar religião à força, e que era uma mulher completamente louca. Acabou transferida para outro Centro Educacional.
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Progressão continuada - um sistema ineficaz
Em São Paulo, desde 1998, adota-se o sistema de Progressão Continuada. Em uma explicação simplória, ele define que não é possível repetir de ano os alunos que tirarem notas ruins. Só é possível reprovar se a criança chegar ou superar a marca de 25% de faltas.
O objetivo é não desmotivar os alunos que, quando repetiam, acabavam abandonando a escola. O problema é que não há uma estrutura educacional que permita uma recuperação a esses alunos com dificuldade de aprendizado.
Muitos alunos simplesmente passam de uma série a outra e concluem o terceiro ano do Ensino Médio sem ao menos saber interpretar uma frase ou solucionar um problema matemático mais elaborado.
A consequência mais óbvia dessa realidade é o despreparo desses jovens. Eles não se formam em condições de disputar uma vaga em uma universidade. Não têm conhecimento para buscar uma vida melhor.
O segundo efeito disso é a indisciplina. O aluno que passa de ano sem aprender chega à sala de aula desinteressado, pois não consegue assimilar o conteúdo mais avançado da série seguinte. Afinal, se ele não aprendeu um determinado conceito na sexta série, por exemplo, não conseguirá compreender uma matéria mais complicada na sétima.
O que pode se concluir com essa realidade é que esse é um programa ineficiente. Se não é possível aplicar um sistema forte de recuperação a esses alunos, para que eles possam chegar preparados à série seguinte, então não há sentido.
O ideal é fortalecer o ensino da Educação Infantil ao Ensino Médio, remunerando melhor os professores, melhorando a estrutura das escolas e incentivando práticas diferenciadas dentro das instituições.
domingo, 19 de setembro de 2010
E a saúde, onde fica?
Para escrever esse post, pesquisei dados sobre o assunto no Google e encontrei no site da revista Carta Capital o texto “Educação sem remédio” (disponível aqui). Dulce Critelli, a autora, comenta uma pesquisa que está sendo realizada pelo Departamento de Saúde do Servidor (DSS), da Secretaria Municipal de Gestão e Desburocratização de São Paulo. Como não encontrei nada sobre o assunto no site do DSS (ainda tentarei falar com eles para saber onde encontro esses dados), reproduzo parte do conteúdo do texto de Dulce:
“Os dados indicam que, dos 55 mil professores da rede, 16 mil (30%) foram afastados por motivos de saúde. Dentre esses, 4,9 mil profissionais (cerca de 10% de professores e 30% do total de afastamentos) o foram por transtornos mentais e comportamentais. Os demais casos tiveram por causas doenças osteomusculares, lesões por esforço repetitivo e doenças do aparelho respiratório. Comparados aos dados de 1999, que indicam 16% de afastamento dor razões psiquiátricas, os atuais 30% são preocupantes”.
Uso esses dados apenas para dar uma dimensão da conversa que tive com a minha entrevistada. Ela, que inúmeras vezes por ano passa por uma nova perícia para renovar a sua licença, me contou diversas histórias que descobre ao conversar com as pessoas nessas ocasiões. E a conclusão a que chegou é a de que muitos professores preferem trabalhar doentes a enfrentar a burocracia que é para conseguir suas licenças.
Corre na escola, faz relatório, marca data pra perícia, vai outro dia passar com o perito... Tantas datas deixam os professores, que neste caso já não estão bem de saúde, ainda piores. E se perder a data, aí complica ainda mais a situação.
Hoje, a professora com quem conversei diz: “Ainda tô nessa porque tenho fé em Deus que vou conseguir minha readaptação”. Mas, com a experiência que tem em busca de licenças médicas, desabafa: “É porque eu já tô nesse barco, porque se fosse pra eu entrar, se eu pudesse escolher entrar nisso aí, não sei ,não, acho que eu ia pensar dez vezes”.
Até a próxima!
