Terminei a transcrição da minha última entrevista com uma professora da rede pública. Ela, com menos de 50 anos, está afastada da escola há 2 anos e meio por conta de um diagnóstico de estresse e problemas nas cordas vocais, e busca uma readaptação.
Para escrever esse post, pesquisei dados sobre o assunto no Google e encontrei no site da revista Carta Capital o texto “Educação sem remédio” (disponível aqui). Dulce Critelli, a autora, comenta uma pesquisa que está sendo realizada pelo Departamento de Saúde do Servidor (DSS), da Secretaria Municipal de Gestão e Desburocratização de São Paulo. Como não encontrei nada sobre o assunto no site do DSS (ainda tentarei falar com eles para saber onde encontro esses dados), reproduzo parte do conteúdo do texto de Dulce:
“Os dados indicam que, dos 55 mil professores da rede, 16 mil (30%) foram afastados por motivos de saúde. Dentre esses, 4,9 mil profissionais (cerca de 10% de professores e 30% do total de afastamentos) o foram por transtornos mentais e comportamentais. Os demais casos tiveram por causas doenças osteomusculares, lesões por esforço repetitivo e doenças do aparelho respiratório. Comparados aos dados de 1999, que indicam 16% de afastamento dor razões psiquiátricas, os atuais 30% são preocupantes”.
Uso esses dados apenas para dar uma dimensão da conversa que tive com a minha entrevistada. Ela, que inúmeras vezes por ano passa por uma nova perícia para renovar a sua licença, me contou diversas histórias que descobre ao conversar com as pessoas nessas ocasiões. E a conclusão a que chegou é a de que muitos professores preferem trabalhar doentes a enfrentar a burocracia que é para conseguir suas licenças.
Corre na escola, faz relatório, marca data pra perícia, vai outro dia passar com o perito... Tantas datas deixam os professores, que neste caso já não estão bem de saúde, ainda piores. E se perder a data, aí complica ainda mais a situação.
Hoje, a professora com quem conversei diz: “Ainda tô nessa porque tenho fé em Deus que vou conseguir minha readaptação”. Mas, com a experiência que tem em busca de licenças médicas, desabafa: “É porque eu já tô nesse barco, porque se fosse pra eu entrar, se eu pudesse escolher entrar nisso aí, não sei ,não, acho que eu ia pensar dez vezes”.
Até a próxima!
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário