quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Convite

Olá!

Nosso livro ficou pronto e já foi entregue oficialmente.
Venho aqui para fazer um convite a todos que queiram ver nossa apresentação!

Dia: 10/12/2010
Local: Anfiteatro do Ed. Capa
Universidade Metodista de São Paulo
Rua Alfeu Tavares, 149
Rudge Ramos - São Bernardo do Campo - SP
Hora: 9h10


Convidamos para participar da banca o diretor de redação da revista Nova Escola, Gabriel Grossi, e o professor Jorge Tarquini. Além, é claro, da nossa orientadora Verónica Cortes.

Esperamos todos lá!

domingo, 31 de outubro de 2010

Prévia do "SOS Professor"

Olá!

O "SOS Professor" já está na gráfica para ser impresso. Nesta quarta-feira receberemos a prova. Até agora tudo certo, o livro ficou do jeito que queríamos.
Aqui vai uma prévia: a capa do livro.



Até mais!

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Últimos passos

O SOS Professor já está em sua fase final. Depois de quase 10 meses de pesquisas, entrevistas, produção, dúvidas e correções, nosso livro está prestes a ser encaminhado à revisão. Depois, só faltará a diagramação e impressão. Parece pouco, mas ainda vai levar tempo e dar muito trabalho até chegar ao produto final que nós esperamos.

E apesar do nosso livro ainda não estar pronto, muita coisa já aconteceu de fevereiro pra cá. Conhecemos histórias interessantes, visitamos escolas em bairros violentos, fomos impedidas de aplicar questionários do TCC em escolas de bairros de melhor padrão, entre tantas outras coisas.

Mas nada se compara ao prazer de escrever cada história, de tranformar tudo o que ouvimos em textos que retratassem fielmente os fatos tristes e felizes vividos por professores das escolas públicas.

Agora, a expectativa maior é para ter o SOS Professor nas mãos, folhear esse livro escrito com tanto carinho e dedicação - e, o mais importante, sem brigas!

Tenho certeza de que vai ser muito melhor ler nossas histórias novamente, depois de tantas releituras, quando estiverem no formato ideal de um livro-reportagem, desse tipo que tanto lemos, mas acho que pouco imaginamos que um dia iríamos produzir.

Eu quero folhear o SOS Professor, mas também quero que muitas outras pessoas leiam. Quero que o nosso livro possa desempenhar o papel social que sempre vimos nele, de alertar, por meio de histórias reais, para um assunto que envolve tantas pessoas.

Contagem regressiva... Vamos lá!!!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Dia de pré-conceitos

Olá!

Na semana passada, nós fomos até uma escola pública de São Vicente, litoral de São Paulo, para conversar com alguns alunos, saber como eles vêem a escola e como seria um professor ideal. Cinco jovens do 3º ano do Ensino Médio vieram falar conosco.

Para ser bem sincera, esperávamos ter de forçar aqueles adolescentes a falar. Que as respostas seriam "aham", "uhum", "é isso mesmo", etc. Qual foi a nossa surpresa? Todos falavam bem e desenvolveram boas respostas, o que ajudou muito a montar um panorama do que eles esperam do ensino.

Docentes mal-educados e que não impõe limite para a classe simplesmente não têm vez. "Às vezes nem dá bom dia e já começa a escrever na lousa", reclama uma das meninas, a mais falante. Em geral, todos sentem falta de uma parceria com o professor. "Não precisa ser melhor amigo, mas tem de conhecer o aluno", opina outra.

A reclamação sobra também para a dinâmica de aula. Eles nos contaram que o método "giz-lousa" faz com que eles percam a vontade de frequentar a escola. "As aulas são sempre iguais, muito monótonas. São 100 aulas normais pra uma diferente. Uma vez por semana podia ter dinâmica", comenta um dos meninos.

O que nos espantou foi que nada do que eles falaram é impossível de se ter. Se houvesse um esforço mínimo da direção e dos professores, eles se interessariam mais pelas aulas. Esperávamos também que eles vissem os docentes como "bobos", o que se provou uma inverdade. Os alunos admitiram que é uma profissão desgastante psicologicamente. "Ser professor não é fácil. Tem de ter paciência", comentaram.

Fomos até a escola com muitos pré-conceitos, esperando muita coisa.Quando voltamos de lá, tudo tinha caído por terra. Acho que seria interessante se as escolas ouvissem seus alunos também. Uma reunião rápida (como foi a nossa) tiraria muitas dúvidas e resolveria muitos problemas de diálogo.

Até a próxima!

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Silvinha no País das Maravilhas

Carinho. É o que melhor define a forma com que Silvinha olhava para cada um dos alunos do centro educacional que dirigia. Havia os que apanhavam dos pais, os que tinham vindo da Febem, os que tinham pais na cadeia... Não importava. Ela sentia que carinho era o que faltava para todos eles; e eles receberiam isso em sua escola a qualquer custo.

Como em todos os dias, a coordenadora baixinha, gordinha e com os cabelos loiros impecavelmente escovados, passava os olhos pelas filas de crianças que se preparavam para entrar na sala de aula. E tudo parecia estar bem naquele dia... Mas ali, perto de onde ficavam os alunos do quarto ano, havia alguma coisa errada.

Uma cor azulada subia pelo rosto do garoto de dez anos. Marcos, cheio de raiva, estava enforcando-o.

Silvinha não pensou duas vezes: correu para separar a briga. Empurrou Marcus e virou-se para ver se o outro estava bem. Marcus, vermelho, começou a dar chutes altos na professora, até que ela caiu no chão com o ombro deslocado.

Por conta desse episódio, há mais de um mês ela comparece religiosamente à fisioterapia. Quanto ao aluno? "Ele pediu desculpas, não foi de propósito. É do tipo que agredia verbalmente o professor, falava palavrões... Mas comecei  atrabalhar com ele separadamente, e ele foi melhorando. Tenho o maior carinho por ele. Foi rejeitado pela família, tadinho. A mãe disse que estava cansada dele..."

O carinho de Silvinha por seus alunos é tanto que ela já chegou até a adotar alguns. Quando pedi que ela contasse histórias em que teria sofrido violência na escola, ela raramente lembrava. Mencionava apenas a situação inversa: professoras "malvadas" e "insensíveis" que não sabiam como lidar com crianças problemáticas.

"Eu tinha mais problema com a mãe do que com o aluno. Elas tem ciúme. Às vezes a criança gosta mais de você do que da própria mãe. Sabe, minha sala de direção era muito bonita, tinha brinquedos, tudo que criança gosta e quando acabava o expediente, alguns iam pra lá. E tinha mãe que não gostava disso... Sempre tive um carinho muito, muito especial." E reafirma: muitas mães não gostavam muito dela, mas ninguém jamais chegou a ameaçá-la ou agredi-la.

***

"A realidade dela é tão ruim  que ela achou um jeito de acreditar que seja melhor. E conta isso para as pessoas". Essa declaração sobre Silvinha é de uma supervisora de ensino. Ela, a Secretária de Educação e várias outras pessoas que já trabalharam com a professora até deram risada ao ouvir o resultado da entrevista que gerou a história narrada acima. Várias inverdades. Tantas que a personagem nem mesmo faz parte do livro SOS professor. Estamos falando de um produto jornalístico, não é mesmo?

Vejamos um exemplo. A sala de direção "muito bonita" que Silvinha descreveu era, segundo a Secretária da Educação, um lugar extremamente desorganizado e sujo. Havia um toque pessoal: paredes cor-de-rosa. Mas havia carteiras quebradas, papéis espalhados para todo lado, computadores velhos... Quem chegava não encontrava nem mesmo onde sentar.

Silvinha também não era tão querida em sua escola como conta. Na verdade, segundo uma supervisora de ensino, as mães dos alunos ameaçaram fazer um panelaço caso ela não saísse dali. Alegavam que ela tentava ensinar religião à força, e que era uma mulher completamente louca. Acabou transferida para outro Centro Educacional.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Progressão continuada - um sistema ineficaz

Em São Paulo, desde 1998, adota-se o sistema de Progressão Continuada. Em uma explicação simplória, ele define que não é possível repetir de ano os alunos que tirarem notas ruins. Só é possível reprovar se a criança chegar ou superar a marca de 25% de faltas.

O objetivo é não desmotivar os alunos que, quando repetiam, acabavam abandonando a escola. O problema é que não há uma estrutura educacional que permita uma recuperação a esses alunos com dificuldade de aprendizado.

Muitos alunos simplesmente passam de uma série a outra e concluem o terceiro ano do Ensino Médio sem ao menos saber interpretar uma frase ou solucionar um problema matemático mais elaborado.

A consequência mais óbvia dessa realidade é o despreparo desses jovens. Eles não se formam em condições de disputar uma vaga em uma universidade. Não têm conhecimento para buscar uma vida melhor.

O segundo efeito disso é a indisciplina. O aluno que passa de ano sem aprender chega à sala de aula desinteressado, pois não consegue assimilar o conteúdo mais avançado da série seguinte. Afinal, se ele não aprendeu um determinado conceito na sexta série, por exemplo, não conseguirá compreender uma matéria mais complicada na sétima.

O que pode se concluir com essa realidade é que esse é um programa ineficiente. Se não é possível aplicar um sistema forte de recuperação a esses alunos, para que eles possam chegar preparados à série seguinte, então não há sentido.

O ideal é fortalecer o ensino da Educação Infantil ao Ensino Médio, remunerando melhor os professores, melhorando a estrutura das escolas e incentivando práticas diferenciadas dentro das instituições.

domingo, 19 de setembro de 2010

E a saúde, onde fica?

Terminei a transcrição da minha última entrevista com uma professora da rede pública. Ela, com menos de 50 anos, está afastada da escola há 2 anos e meio por conta de um diagnóstico de estresse e problemas nas cordas vocais, e busca uma readaptação.

Para escrever esse post, pesquisei dados sobre o assunto no Google e encontrei no site da revista Carta Capital o texto “Educação sem remédio” (disponível aqui). Dulce Critelli, a autora, comenta uma pesquisa que está sendo realizada pelo Departamento de Saúde do Servidor (DSS), da Secretaria Municipal de Gestão e Desburocratização de São Paulo. Como não encontrei nada sobre o assunto no site do DSS (ainda tentarei falar com eles para saber onde encontro esses dados), reproduzo parte do conteúdo do texto de Dulce:

“Os dados indicam que, dos 55 mil professores da rede, 16 mil (30%) foram afastados por motivos de saúde. Dentre esses, 4,9 mil profissionais (cerca de 10% de professores e 30% do total de afastamentos) o foram por transtornos mentais e comportamentais. Os demais casos tiveram por causas doenças osteomusculares, lesões por esforço repetitivo e doenças do aparelho respiratório. Comparados aos dados de 1999, que indicam 16% de afastamento dor razões psiquiátricas, os atuais 30% são preocupantes”.

Uso esses dados apenas para dar uma dimensão da conversa que tive com a minha entrevistada. Ela, que inúmeras vezes por ano passa por uma nova perícia para renovar a sua licença, me contou diversas histórias que descobre ao conversar com as pessoas nessas ocasiões. E a conclusão a que chegou é a de que muitos professores preferem trabalhar doentes a enfrentar a burocracia que é para conseguir suas licenças.

Corre na escola, faz relatório, marca data pra perícia, vai outro dia passar com o perito... Tantas datas deixam os professores, que neste caso já não estão bem de saúde, ainda piores. E se perder a data, aí complica ainda mais a situação.

Hoje, a professora com quem conversei diz: “Ainda tô nessa porque tenho fé em Deus que vou conseguir minha readaptação”. Mas, com a experiência que tem em busca de licenças médicas, desabafa: “É porque eu já tô nesse barco, porque se fosse pra eu entrar, se eu pudesse escolher entrar nisso aí, não sei ,não, acho que eu ia pensar dez vezes”.

Até a próxima!

domingo, 12 de setembro de 2010

Incentivo

Na tarde da última quarta-feira (8), visitamos a E.E Samuel Morse, na Zona Sul de São Paulo. Foi muito interessante e bem diferente de todas as outras que passamos. Fomos até lá conferir como funciona o projeto do Instituto Unibanco naquela escola. Descobrimos que uma boa administração faz toda a diferença. Além disso, comprovamos mais uma vez que ter uma direção atuante é essencial para o bom funcionamento da escola.

O projeto se preocupa em ajudar tanto na parte pedagógica, quanto na financeira. A escola recebe uma verba (cerca de 100 reais por aluno) e deve fazer um plano de ação de como vai aplicar esse dinheiro, tudo devidamente aprovado pelo Instituto. O plano abrange apenas alunos do Ensino Médio, porque é quando os jovens desistem de freqüentar as aulas.

Acho que incentivo é a palavra do programa. Resumindo bem as atividades: o Instituto Unibanco realiza provas diagnósticas no começo do ano para descobrir como os alunos estão em português, matemática, etc. No final do mesmo ano, aplicam outro teste para avaliar se os alunos melhoraram ou continuaram na mesma. Se piorarem, estão fora do projeto. Todos os bons resultados são devidamente premiados – tanto os alunos, quanto os professores.

Os educadores que menos faltam ganham bônus de 150 reais. Além disso, o programa ainda garante ingressos para cinema, cursos e uma mudança geral na sala dos professores. No Samuca eles ganharam sofás, geladeira e até uma máquina de café expresso. Ah, tem também um pacote turístico para os professores das melhores salas.

A efetividade de todas essas ações é visível. Os alunos querem vir para escola, o índice de violência é baixo e a família se aproximou da escola. Cerca de 200 alunos de outras escolas já pediram transferência para a escola que fica próxima ao Hospital de M’Boi Mirim.

O interessante é que de manhã e à tarde, quando estudam os alunos de 1ª a 8ª série, tudo é muito diferente. Os alunos são mais rebeldes - xingam os professores, destroem carteiras e andam pelos telhados da escola.

Como esses alunos não fazem parte do projeto, a diretora da escola resolveu inovar para corrigir essa bagunça. No intervalo, os alunos aprendem xadrez, já que estão sem quadra. Como não tem verba para levar ao cinema, fazem sessão pipoca na escola. E assim, vai adaptando tudo o que pode, deixando os alunos e professores mais satisfeitos.

Depois de visitar escolas com tantos problemas, ir até o Samuel Morse foi incrível. Descobrimos que sempre há um jeito de fazer dar certo.

Até mais!

domingo, 5 de setembro de 2010

Qualquer escola pode ser boa

Com base nas visitas que temos feito a escolas desde o início do projeto SOS Professor, formulei uma lista dos itens que, na minha opinião, são essenciais para que uma escola pública seja considerada "boa". Boa, no sentido de ter pouca violência, muito estudo e profissionais que gostam de trabalhar. Convido quem quer que se disponha a ler o texto a comentar para sugerir alterações e acréscimos.

1 - Direção atuante -
A maioria das escolas tem a mesma cara de quem as dirige. São a direção e a coordenação da escola as responsáveis por administrar os recursos humanos e financeiros da escola. Depende delas a possibilidade de todos os próximos itens da lista existirem, integrando funcionários, alunos e a comunidade do bairro.

2 - Estruturas físicas adequadas -
"Se o cara encontrar o vidro quebrado, vai quebrar outros", disse o diretor de uma das melhores escolas que visitamos até agora. O ambiente escolar é extremamente importante. Se estiver bem cuidado, vai deixar o professor com mais vontade de dar suas aulas, e os alunos confortáveis para assisti-las.

3 - Professores motivados -
A escola em si normalmente não tem poderes para dar incentivos financeiros aos seus funcionários. Porém, como já comentamos por aqui, salário não é o mais importante. Liberdade para realizar projetos diferentes com os alunos, ponderação na resolução de conflitos com alunos e pais são atitudes importantíssimas que professores esperam da direção. E por que não um mimo de vez enquando, como um bombom no Dia do Professor e um café sempre quente na hora do intervalo?

4 - Integração com a comunidade -
Um dos maiores problemas enfrentado pelos professores na sala de aula é a fala de estrutura familiar dos alunos. Pais que largam alunos na escola sem se importar com o que está sendo feito lá dentro, que não colaboram na educação de seus filhos e, muitas vezes, entram em conflito com a escola. Os conselhos de classe participativos, feitos reunindo coordenação, professores, alunos e pais são uma boa alternativa para o problema.

5 - Ambiente atrativo -
A escola não precisa ser um ambiente apenas de obrigações e deveres. É importante que os professores saibam oferecer atividades diferentes e criativas em suas aulas, como debates, discussões, exposições e apresentações. Ficar apenas no giz e lousa cansa tanto o aluno quanto o educador. Além disso, a escola também precisa ter criatividade para organizar eventos que mudem a visão que o bairro possui daquele ambiente fechado por grades e regras.

Até o próximo post, quem sabe com mais itens para a lista!

domingo, 29 de agosto de 2010

Um exemplo de mudança

Aqui no blog já discutimos casos de violência, tanto do aluno contra o professor como do professor em relação ao aluno. Desta vez, vou contar um caso que deu certo. A história de uma garota que conseguiu se recuperar.

Ela tinha 12 anos e já apresentava problemas em uma escola pública de São Paulo. Além de faltar muito, desrespeitava os professores, tinha um mau comportamento e saía com homens casados.

Para auxiliá-la, os professores da escola em que ela estuda decidiram unir forças. A solução encontrada foi dar mais atenção à garota, fazendo com que ela se sentisse importante.

“Se tinha algum passeio, geralmente iam os melhores alunos, mas a gente a escolhia. Também fazia com que ela passasse lição na lousa, me ajudasse. Ela começou a acreditar nela mesma. Hoje não é mais nem um terço do que ela foi”, contou uma das professoras da menina.

Essa estratégia de tornar o jovem problemático como um “assistente” costuma dar certo. Esse não foi o único caso do tipo que encontramos durante nossas pesquisas.

O que pode se entender a partir disso é que é preciso valorizar a criança. Ela deve se sentir importante, capaz. Só assim ela poderá confiar que pode evoluir e ainda acabará cobrando o mesmo dos colegas de classe.

Claro que essa não é uma fórmula mágica. Talvez não funcione com alguns jovens e muitos outros setores da educação precisam ser aprimorados para garantir que essa melhoria não termine.

O que fica como esperança é a realidade dessa menina. Hoje com 14 anos, ela estuda, trabalha e vai à escola nas horas livres para ajudar a arrumar as salas e a biblioteca. E ainda diz: “Professora, agora eu vejo como perdi tempo na minha vida”.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

O professor também agride?

No dia 13 de agosto o site Globo.com divulgou uma matéria que me deixou bastante pensativa. O texto falava de uma professora de uma escola municipal da Bahia que era suspeita de cortar o cabelo de seis alunas de 8 a 10 anos, que cursam o Ensino Fundamental I.


Segundo a reportagem, a professora afirmou que a intenção era tirar chiclete do cabelo das alunas. Porém, as meninas disseram que nunca viram as gomas de mascar e, ainda, que a educadora guardava os fios de cabelo em saquinhos na bolsa.


A primeira coisa que veio à minha cabeça quando li a matéria foi: “Nossa! No nosso projeto estamos falando da violência contra o professor... Mas e a violência do professor?”


Não posso julgar completamente o caso dessa professora da Bahia, pois nada está comprovado, mas penso que, se for mesmo culpada, ela não agiu dessa forma impulsionada por uma violência que sofreu dessas meninas. Pelo menos, não acho que cortar o cabelo de crianças seja uma maneira de devolver uma agressão sofrida.


Com isso, lembrei-me de uma pessoa que entrevistei para o Projeto SOS Professor nas férias. Ela recebeu xingamentos de um aluno da 8ª série de uma escola pública e retrucou; também foi agredida fisicamente, e revidou. E desejou poder bater muito no garoto, apesar de não fazer isso.


A atitude dessa professora não foi a ideal para a situação, claro. Mas ela me disse algo que me fez entender muito mais a situação pela qual passou. “Apesar de tudo, eu sou humana”. E ela não está errada com esse pensamento. Uma coisa é agredir os alunos de alguma forma sem nenhum motivo aparente, outra é agir desta forma depois de receber ofensas.


Não estou aqui para defender a atitude da professora com a qual conversei, mas quero expor, por meio dessas suas situações, o meu ponto de vista de que existem violências do professor com algum tipo de fundamento. Concordo que nos dois casos que contei aqui a violência poderia ter sido evitada. Porém , na segunda história, a situação era mais difícil, pois a paciência da docente foi “cutucada”. Já na primeira história, aparentemente, evitar a situação dependia apenas da professora.


No final, a educadora com a qual conversei pediu desculpas à mãe do menino e ficou feliz por saber que ele, depois, conseguiu seguir um bom caminho. Mas também desejou nunca mais passar por isso. E realmente não passou. Hoje, segundo ela mesma contou com orgulho, tem um bom relacionamento com os alunos e raramente leva problemas da sala de aula para a Direção da escola.


Por hoje é isso! Até o próximo post!

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Muito além da violência escolar

Quando decidimos pelo nosso tema do Trabalho de Conclusão de Curso, tínhamos alguma ideia do que esperávamos encontrar, é claro. Depois de algumas semanas de entrevistas com professores de variadas regiões e escolas, descobrimos que nosso tema aborda muito mais do que violência contra professores e nos sentimos na obrigação de pincelar algumas delas no nosso livro-reportagem.

Acabamos nos deparando com situações e depoimentos críticos. Não encontramos apenas professores que são violentados diariamente, mas também pessoas que já estão, no nosso entendimento, descontroladas psicologicamente. Pelos relatos que temos, a falta de estrutura total da educação colabora, e muito, para a falta de estabilidade psicológica de alguns.

“Um mês atrás um professor bateu a cabeça na parede, ficou tão nervoso com a aluna que eu, que estava dando aula, tive que sair e atuar como mediadora. Ele perdeu a paciência com a aluna. Ele se sentiu acuado e não podia agredir, claro. Então começou a bater com a cabeça na parede na frente dos alunos”, contou uma educadora ao projeto “SOS Professor”.

A falta de educação dos alunos contribui, mas outros pontos colaboram para o quadro que encontramos hoje na educação. A falta de estrutura escolar e familiar, o tráfico de drogas e a inclusão desordenada são alguns dos fatores citados pelos professores entrevistados pelo grupo.

“Chamamos a mãe e ela diz: ‘eu não acredito que vocês me chamaram aqui pra dizer que ele não faz a lição! É pra isso que vocês me chamaram aqui? Eu tenho treze filhos! Você acha que eu tenho tempo de ficar aqui ouvindo que ele não tá fazendo lição?’”, conta outra professora.

Além do descaso dos pais, também ouvimos educadores que reclamaram da falta de tratamento psicológico. “Tem um professor lá que está dando aula com sonda, porque não dão afastamento. É tudo meio apertadinho, não tem pátio, o Estado não tem essa estrutura de ver o professor, de ver que o professor precisa de um apoio psicológico”, exemplificou uma educadora de São Paulo.

Outra ainda alertou para o problema da inclusão desordenada. A lei obriga a inclusão, mas é falha e não treina ninguém para lidar com essas pessoas nas escolas. “Eu também acho que a gente tem de aceitar o aluno especial, mas eu acho que a gente tem de ter na escola alguém ou alguma coisa que possa dizer quais são as necessidades deles, né? Porque a gente não é habilitado pra lidar. Eu não sou, eu não sei lidar”, contaram ao blog.

É lógico que não consigo detalhar todos esses problemas em um post do blog, seria impossível. O tráfico de drogas influi diretamente no dia a dia da escola e não foi abordado apropriadamente nesse post, foi apenas citado porque merece um post sozinho. Temos depoimentos variados, até dos que acabam defendendo o tráfico para o bom andamento das atividades escolares.

“Ele (aluno) continuava trabalhando pro tráfico, todo mundo sabia, eu sabia [...] Eu não ia bater de frente com ele, sabe?”, disse uma entrevistada. Essa frase sintetiza bem a realidade. Numa outra ocasião, detalhamos o assunto.

Até mais!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

A faixa amarela

Vários de nossos entrevistados reclamam: A prioridade dos alunos hoje não é aprender, entrar numa faculdade, nada disso. É simplesmente fazer parte de um ritual obrigatório pela lei, ou, no caso dos mais velhos, passar um tempo longe dos pais. Até eles, aliás, muitas vezes tem um pensamento parecido: "Eu mando ele para a escola pra ver se ele para de enxer o saco em casa".

Como lidar, então, com alunos que não se importam com o que o professor tem a dizer, ridicularizando-o, ignorando-o e etc? Ameaçando uma expulsão que dificilmente se concretizaria? Levando os problemas para fora da sala de aula, a diretores e coordenadores?

Revidando as grosserias e palavrões na mesma moeda? Mostrando quem manda, punindo com mais rigidez? Tornando-se amigo, falando de igual para igual?

Entrevistei recentemente dois professores que trabalharam em escolas cheias de bandidos e protagonistas do tráfico de drogas em seus bairros. Eles acreditam que, em um ambiente assim, o mais importante é falar a mesma língua que eles. Mostrar, de forma clara para eles, que o que está sendo ensinado tem algum valor para a vida dos alunos.

Não é preciso usar palavrões, xingar. É questão de demonstrar que ele depende do professor assim como o professor depende da atenção dele.

Mas não é fácil, claro. Não é facil tornar-se "amigo" dos alunos sem perder a autoridade sobre eles. A linha entre o "ser amigo" e "ser um professor amigo" é muito fina. É preciso experiência e reflexão para não não perdê-la de vista.

A dificuldade em enxergar essa "faixa amarela" é apenas um dos problemas que abordamos na elaboração de nosso livro-reportagem. Acompanhe o blog para saber de mais.

Se quiser saber mais sobre o histórico das relações entre aluno e professor e índices de violência nas escolas nos últimos anos, leia o nosso pré-tcc aqui.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Relacionamento entre professores e alunos

O grupo do projeto SOS Professor realizou uma pesquisa com 132 professores da rede pública de ensino da cidade de São Paulo. Esse trabalho já foi citado aqui no blog anteriormente, mas hoje a abordagem é outra.

Um dos resultados da pesquisa mostrou uma controvérsia nas respostas dos docentes. Quando questionados sobre a relação deles com os alunos, 48,48% declararam ter uma boa relação e 34,85% consideraram esse relacionamento muito bom. A ligação com os alunos foi chamada de “regular” por 14,39% dos professores e ninguém considerou essa relação ruim ou péssima.

Já é possível fazer uma série de leituras a partir dessas respostas. A relação entre professor-aluno realmente pode ser boa ou muito boa na maior parte dos casos consultados ou os docentes talvez tenham uma noção equivocada do que é uma relação saudável, devido à banalização da violência e à frequente falta de respeito. A terceira hipótese é de que alguns professores não conseguem admitir que não possuem uma boa relação com os estudantes.

O que comprova a controvérsia são as respostas de outra pergunta. Quando perguntamos se os professores já haviam sofrido algum tipo de violência (verbal ou física), os resultados mostraram outro tipo de relacionamento. Do total, 68,94% admitiram já ter sofrido violência dos alunos e 28,79% disseram nunca ter acontecido nada.

Agora, se quase 70% dos docentes já sofreram violência, como mais de 80% consideram essa relação boa ou muito boa?! A única explicação possível de ser compreendida é que, quando responderam a questão sobre violência é que os professores descobriram o que realmente é violência.

A grande maioria não percebia que o desrespeito dentro da sala de aula é uma forma de violência e isso mostra o quão descontrolado está o ambiente de estudo nas escolas de São Paulo e do país.

Ser xingado dentro da sala de aula já é considerado natural pelos professores e a única maneira de reverter essa situação é com a conscientização da realidade e com educação. É isso que o livro-reportagem SOS Professor pretende transmitir.

Até a próxima!

terça-feira, 20 de julho de 2010

Ser ou não ser professor?

No total, 132 professores da rede pública da cidade de São Paulo responderam à pesquisa do projeto SOS professor. Desses, 92,42% afirmaram gostar da profissão e apenas 0,76% declararam que não têm gosto pela área.

Essas respostas surpreenderam bastante, pois mostram que apesar de todos os problemas enfrentados, como o risco de violência, a indisciplina e o desinteresse dos alunos, os docentes gostam do que fazem e acreditam na profissão.

O grande número de respostas positivas em outra pergunta vem para confirmar tudo isso: quando a pergunta é se eles seriam professores se tivessem a possibilidade de escolher novamente, 73,48% disseram que sim, contra 23,48% de respostas negativas.

Para eles, o principal motivo para a resposta positiva é o fato de se sentirem capaz de formar cidadãos, com 44,07%. Em seguida, quase empatados, aparecem como respostas o sentimento de gratificação e o gosto pela área.

Uma frase citada por um dos professores no questionário resume bem essas questões: "Quando consigo dar aula sem o desgaste da falta de respeito e indisciplina, me sinto realizada".

Algumas dificuldades enfrentadas chegam a desanimar os docentes, mas são deixadas de lado quando eles conseguem dar a volta por cima e fazer o que mais gostam: lecionar.

Mas uma reportagem exibida pelo programa Fantástico, da Rede Globo, no dia 11 de julho deste ano, mostra outra realidade das escolas públicas do país: a falta de professores para lecionar algumas matérias, principalmente ciências exatas e biológicas.

Em 2008, um levantamento do MEC revelou falta de 240 mil professores da quinta série ao ensino médio no Brasil. Segundo afirma na reportagem a secretária de Educação Básica do MEC, Maria do Pilar Lacerda, esse déficit está diminuindo... Mas lentamente. Para suprir essa falta, é preciso recorrer a professores temporários. Só São Paulo conta hoje com mais de 80 mil profissionais deste tipo.

Porém, se a maioria dos docentes gosta da profissão e a escolheria novamente se tivesse nova oportunidade, por que existe essa falta de professores?

Tudo indica que as pessoas com mais tempo de carreira ainda vislumbram um futuro para a educação no país. Mas, ao que parece, a profissão perdeu o brilho que despertava em gerações anteriores e não é mais vista pelos jovens como uma atividade na qual vale a pena investir.

Assim, os mais experientes um dia se aposentam e deixam livre vagas que podem demorar a serem preenchidas por profissionais mais novos. E isso só dificulta ainda mais a busca por melhorias no ensino do Brasil, como explica muito bem Maria do Pilar Lacerda na reportagem do Fantástico: “A prioridade é o professor, porque nenhuma mudança na educação acontecerá sem o professor ou contra o professor”.

Acesse a matéria do Fantástico na íntegra aqui.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Violência Escolar: tema tratado no Congresso

Talvez pouca gente saiba, mas tramitam no Congresso brasileiro ao menos quatro projetos de lei que atingem diretamente os professores do país. Neles, estão propostas algumas soluções e punições para melhorar a situação da violência nas escolas e, principalmente, contra educadores.

A notícia é boa para todos, mas ainda falta um bom caminho para serem aprovados. O senador Paulo Paim (PT/RS) elaborou dois projetos sobre o assunto, os PLS 178/09 e 191/09. O primeiro propõe melhorar a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, alterando artigos da lei para “fortalecer a cultura da paz nas escolas e nas comunidades adjacentes”, como a própria proposta já diz.

O segundo projeto é mais específico, tratando exclusivamente da violência contra educadores. Ele garante proteção policial aos professores agredidos, quando necessário, e punições judiciais ao agressor. Para adolescentes, valem as regras do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Já na proposta da senadora Marisa Serrano (PMDB/MS), o foco é na escola. O PLS 251/09 cria o Sistema Nacional de Acompanhamento e Combate à Violência nas Escolas (SAVE), que ajudará, por exemplo, no mapeamento de ocorrências, divulgação de soluções, promoção de programas educacionais, entre outros.

Entre as muitas aparentes vantagens do programa, há a criação de um número de telefone pra denúncias de violência escolar. Essa novidade lembra muito o projeto “SOS Professor” - que inspirou o nome do projeto deste blog – presente em Portugal, França e alguns outros países, que consiste em denunciar agressões sofridas pelos educadores.

“Os professores serão os maiores beneficiados. Vão saber por que a violência está acontecendo. Se sofrem violência por alunos de famílias desestruturadas, usuários de drogas, entre outros. Assim, podemos determinar melhor que tipo de tratamento ou atendimento aquela região precisa”, disse a senadora ao projeto “SOS Professor”.

O PL de Marisa Serrano já passou por todas as comissões do Senado a que foi designado e agora espera para ser votado em plenário.

Não é só pelo Senado que o tema vem sendo abordado. O deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB – DF) criou um projeto de lei parecido com o de Marisa Serrano e com o de Paulo Paim. Nele, está previsto a criação do Programa Nacional de Prevenção à Violência contra Educadores (PNAVE).

Trata-se do PL 6269/09, que é um pouco mais rígido em relação à punição dos agressores. Ele propõe que, no caso de agressão moral ao educador, a pena seja de detenção de três a nove meses, ou multa. No caso de agressão física, seriam de 12 meses a quatro anos de detenção. E, quando quem causar a violência for menor de idade, aplica-se o ECA.

O projeto está parado na Comissão de Educação e Cultura desde novembro de 2009. Ainda deverá passar pela de Finanças e Tributação e pela de Constituição, Justiça e Cidadania antes de ser votado em plenário.

Até a próxima!

domingo, 11 de julho de 2010

Salário é não é o pior problema

Para os 132 professores da rede púlica da cidade de São Paulo que responderam o questionário anônimo de pesquisa do projeto SOS professor, o baixo salário não é o maior problema que eles enfrentam no trabalho.

O dado surpreende, porque sempre tivemos a impressão de que tudo que os professores precisam é de mais dinheiro. É o que vemos como pleito de todas as greves de sindicatos e associações: ajustes salariais, aposentadoria mais justa, direito à licença isso, direito à licença aquilo... Tudo muito justo e necessário. Afinal, ensinar as novas gerações e dar condições para que cada vez mais gente possa prosperar no futuro é uma tarefa que não tem recebido o reconhecimento suficiente no Brasil.

Mas, por mais irônico que isso pareça, dinheiro não é o maior problema do professor paulistano.

Nossa pesquisa foi feita em escolas de todas as cinco macrorregiões de São Paulo, para que fosse bastante representativa. Uma das questões, que era aberta, pedia para os professores enumerarem, em ordem de importância, as três principais dificuldades que enfrentam em seu trabalho.

Os principais problemas apontados foram indisciplina, desinteresse e falta de incentivo da família. A indisciplina foi indicado como maior dificuldade por cerca de 23,48% dos entrevistasdos, e o desinteresse por 21,21%. No geral, as complicações existentes no mundo de dentro dos muros da escola, e não da conta bancária, foram os mais lembrados.

Na verdade, só uma pessoa colocou o salário em primeiro lugar na questão.

Isso mostra o quanto é necessário repensar de que forma o professor tem sido defendido em nossa sociedade. Será que as associações e sindicatos não estão fazendo barulho demais pela reinvindicação errada?


Para ler a íntegra da pesquisa, clique aqui.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Afinal, o que é violência?

Antes de debatermos a situação da violência sofrida pelos professores na rede pública de ensino, é preciso entender o que se encaixa nessa categoria.

Engana-se quem pensa que um professor sofre violência somente quando apanha. Na verdade, a falta de atenção que compromete a aula e o desrespeito em relação aos docentes também se encaixam nessa categoria. Além disso, as ameaças e a pressão psicológica também podem ser encaradas como um ato violento.

Mas nem todo mundo compreende isso, afinal, a falta de autoridade do professor hoje é tão frequente, que algumas pessoas veem com naturalidade o comportamento de alguns alunos.

Assim, é importante prevenir e conscientizar tanto os professores quanto os alunos em relação ao respeito. Uma relação saudável é construída a partir do respeito mútuo e isso nunca deve ser colocado de lado, tanto verbalmente quanto fisicamente.

Um espaço para o professor

Aqui no blog SOS Professor, vamos contar casos de professores que precisam driblar a violência dentro da sala de aula e também histórias de docentes que superam esse obstáculo e conseguem manter um relacionamento harmonioso com os jovens.

Além disso, vão ser postadas pesquisas, notícias e entrevistas com especialistas no assunto, para entendermos todo o cenário da violência na escola.

Nossa intenção é abrir espaço para todos os envolvidos nessa realidade das escolas públicas de São Paulo e também de todo o país. Fiquem à vontade para opinar e participar, de todas as maneiras.

Com os depoimentos apresentados no blog, pretendemos recolher histórias que formarão o livro “SOS Professor”, trabalho de conclusão de curso para o curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo.