quarta-feira, 28 de julho de 2010

Relacionamento entre professores e alunos

O grupo do projeto SOS Professor realizou uma pesquisa com 132 professores da rede pública de ensino da cidade de São Paulo. Esse trabalho já foi citado aqui no blog anteriormente, mas hoje a abordagem é outra.

Um dos resultados da pesquisa mostrou uma controvérsia nas respostas dos docentes. Quando questionados sobre a relação deles com os alunos, 48,48% declararam ter uma boa relação e 34,85% consideraram esse relacionamento muito bom. A ligação com os alunos foi chamada de “regular” por 14,39% dos professores e ninguém considerou essa relação ruim ou péssima.

Já é possível fazer uma série de leituras a partir dessas respostas. A relação entre professor-aluno realmente pode ser boa ou muito boa na maior parte dos casos consultados ou os docentes talvez tenham uma noção equivocada do que é uma relação saudável, devido à banalização da violência e à frequente falta de respeito. A terceira hipótese é de que alguns professores não conseguem admitir que não possuem uma boa relação com os estudantes.

O que comprova a controvérsia são as respostas de outra pergunta. Quando perguntamos se os professores já haviam sofrido algum tipo de violência (verbal ou física), os resultados mostraram outro tipo de relacionamento. Do total, 68,94% admitiram já ter sofrido violência dos alunos e 28,79% disseram nunca ter acontecido nada.

Agora, se quase 70% dos docentes já sofreram violência, como mais de 80% consideram essa relação boa ou muito boa?! A única explicação possível de ser compreendida é que, quando responderam a questão sobre violência é que os professores descobriram o que realmente é violência.

A grande maioria não percebia que o desrespeito dentro da sala de aula é uma forma de violência e isso mostra o quão descontrolado está o ambiente de estudo nas escolas de São Paulo e do país.

Ser xingado dentro da sala de aula já é considerado natural pelos professores e a única maneira de reverter essa situação é com a conscientização da realidade e com educação. É isso que o livro-reportagem SOS Professor pretende transmitir.

Até a próxima!

2 comentários:

  1. Muito bem! Excelente a análise de vocês!
    Aliás, quando conversei com a Marina, pensei apenas na violência física, no entanto, a verbal/psicológica é, da mesma forma, muito grave!

    Sou Professora há 6 anos, lecionando em instituições públicas e privadas, já sofri diversas agressões verbais e, incluive, o pior caso foi em um colégio particular no ano passado!

    O problema é que o brasileiro não tem mais a educação como referência de evolução, de melhoria nas condições de vida...as referências da criança e do adolescente hoje são jogadores de futebol (por exemplo), despreparados intelectual e emocionalmente para a vida adulta!

    Mas quando vejo trabalhos como o de vocês, sinto um grande incentivo de continuar!
    Fui Professora da Marina e me sinto extremamente feliz em vê-la participando de trabalhos assim, que busquem o sucesso, o bem estar coletivo, não apenas o individual!

    Parabéns e Parabéns!

    Abraços,
    Profª Gisele Meyer.

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  2. Olá Gisele!

    Que bom que nosso projeto te trouxe esse sentimento de esperança. Nós acreditamos muito na educação e por isso decidimos dar mais atenção a esse assunto, tão pouco abordado.

    Obrigada pelo apoio!

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