terça-feira, 24 de agosto de 2010

O professor também agride?

No dia 13 de agosto o site Globo.com divulgou uma matéria que me deixou bastante pensativa. O texto falava de uma professora de uma escola municipal da Bahia que era suspeita de cortar o cabelo de seis alunas de 8 a 10 anos, que cursam o Ensino Fundamental I.


Segundo a reportagem, a professora afirmou que a intenção era tirar chiclete do cabelo das alunas. Porém, as meninas disseram que nunca viram as gomas de mascar e, ainda, que a educadora guardava os fios de cabelo em saquinhos na bolsa.


A primeira coisa que veio à minha cabeça quando li a matéria foi: “Nossa! No nosso projeto estamos falando da violência contra o professor... Mas e a violência do professor?”


Não posso julgar completamente o caso dessa professora da Bahia, pois nada está comprovado, mas penso que, se for mesmo culpada, ela não agiu dessa forma impulsionada por uma violência que sofreu dessas meninas. Pelo menos, não acho que cortar o cabelo de crianças seja uma maneira de devolver uma agressão sofrida.


Com isso, lembrei-me de uma pessoa que entrevistei para o Projeto SOS Professor nas férias. Ela recebeu xingamentos de um aluno da 8ª série de uma escola pública e retrucou; também foi agredida fisicamente, e revidou. E desejou poder bater muito no garoto, apesar de não fazer isso.


A atitude dessa professora não foi a ideal para a situação, claro. Mas ela me disse algo que me fez entender muito mais a situação pela qual passou. “Apesar de tudo, eu sou humana”. E ela não está errada com esse pensamento. Uma coisa é agredir os alunos de alguma forma sem nenhum motivo aparente, outra é agir desta forma depois de receber ofensas.


Não estou aqui para defender a atitude da professora com a qual conversei, mas quero expor, por meio dessas suas situações, o meu ponto de vista de que existem violências do professor com algum tipo de fundamento. Concordo que nos dois casos que contei aqui a violência poderia ter sido evitada. Porém , na segunda história, a situação era mais difícil, pois a paciência da docente foi “cutucada”. Já na primeira história, aparentemente, evitar a situação dependia apenas da professora.


No final, a educadora com a qual conversei pediu desculpas à mãe do menino e ficou feliz por saber que ele, depois, conseguiu seguir um bom caminho. Mas também desejou nunca mais passar por isso. E realmente não passou. Hoje, segundo ela mesma contou com orgulho, tem um bom relacionamento com os alunos e raramente leva problemas da sala de aula para a Direção da escola.


Por hoje é isso! Até o próximo post!

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