No total, 132 professores da rede pública da cidade de São Paulo responderam à pesquisa do projeto SOS professor. Desses, 92,42% afirmaram gostar da profissão e apenas 0,76% declararam que não têm gosto pela área.
Essas respostas surpreenderam bastante, pois mostram que apesar de todos os problemas enfrentados, como o risco de violência, a indisciplina e o desinteresse dos alunos, os docentes gostam do que fazem e acreditam na profissão.
O grande número de respostas positivas em outra pergunta vem para confirmar tudo isso: quando a pergunta é se eles seriam professores se tivessem a possibilidade de escolher novamente, 73,48% disseram que sim, contra 23,48% de respostas negativas.
Para eles, o principal motivo para a resposta positiva é o fato de se sentirem capaz de formar cidadãos, com 44,07%. Em seguida, quase empatados, aparecem como respostas o sentimento de gratificação e o gosto pela área.
Uma frase citada por um dos professores no questionário resume bem essas questões: "Quando consigo dar aula sem o desgaste da falta de respeito e indisciplina, me sinto realizada".
Algumas dificuldades enfrentadas chegam a desanimar os docentes, mas são deixadas de lado quando eles conseguem dar a volta por cima e fazer o que mais gostam: lecionar.
Mas uma reportagem exibida pelo programa Fantástico, da Rede Globo, no dia 11 de julho deste ano, mostra outra realidade das escolas públicas do país: a falta de professores para lecionar algumas matérias, principalmente ciências exatas e biológicas.
Em 2008, um levantamento do MEC revelou falta de 240 mil professores da quinta série ao ensino médio no Brasil. Segundo afirma na reportagem a secretária de Educação Básica do MEC, Maria do Pilar Lacerda, esse déficit está diminuindo... Mas lentamente. Para suprir essa falta, é preciso recorrer a professores temporários. Só São Paulo conta hoje com mais de 80 mil profissionais deste tipo.
Porém, se a maioria dos docentes gosta da profissão e a escolheria novamente se tivesse nova oportunidade, por que existe essa falta de professores?
Tudo indica que as pessoas com mais tempo de carreira ainda vislumbram um futuro para a educação no país. Mas, ao que parece, a profissão perdeu o brilho que despertava em gerações anteriores e não é mais vista pelos jovens como uma atividade na qual vale a pena investir.
Assim, os mais experientes um dia se aposentam e deixam livre vagas que podem demorar a serem preenchidas por profissionais mais novos. E isso só dificulta ainda mais a busca por melhorias no ensino do Brasil, como explica muito bem Maria do Pilar Lacerda na reportagem do Fantástico: “A prioridade é o professor, porque nenhuma mudança na educação acontecerá sem o professor ou contra o professor”.
Acesse a matéria do Fantástico na íntegra aqui.
Eu acho que essas respostas foram influenciadas pela onda do políticamente correto. Pega mal pra um professor dizer, ou até mesmo pensar, que gostaria de fazer outra coisa.
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