terça-feira, 20 de julho de 2010

Ser ou não ser professor?

No total, 132 professores da rede pública da cidade de São Paulo responderam à pesquisa do projeto SOS professor. Desses, 92,42% afirmaram gostar da profissão e apenas 0,76% declararam que não têm gosto pela área.

Essas respostas surpreenderam bastante, pois mostram que apesar de todos os problemas enfrentados, como o risco de violência, a indisciplina e o desinteresse dos alunos, os docentes gostam do que fazem e acreditam na profissão.

O grande número de respostas positivas em outra pergunta vem para confirmar tudo isso: quando a pergunta é se eles seriam professores se tivessem a possibilidade de escolher novamente, 73,48% disseram que sim, contra 23,48% de respostas negativas.

Para eles, o principal motivo para a resposta positiva é o fato de se sentirem capaz de formar cidadãos, com 44,07%. Em seguida, quase empatados, aparecem como respostas o sentimento de gratificação e o gosto pela área.

Uma frase citada por um dos professores no questionário resume bem essas questões: "Quando consigo dar aula sem o desgaste da falta de respeito e indisciplina, me sinto realizada".

Algumas dificuldades enfrentadas chegam a desanimar os docentes, mas são deixadas de lado quando eles conseguem dar a volta por cima e fazer o que mais gostam: lecionar.

Mas uma reportagem exibida pelo programa Fantástico, da Rede Globo, no dia 11 de julho deste ano, mostra outra realidade das escolas públicas do país: a falta de professores para lecionar algumas matérias, principalmente ciências exatas e biológicas.

Em 2008, um levantamento do MEC revelou falta de 240 mil professores da quinta série ao ensino médio no Brasil. Segundo afirma na reportagem a secretária de Educação Básica do MEC, Maria do Pilar Lacerda, esse déficit está diminuindo... Mas lentamente. Para suprir essa falta, é preciso recorrer a professores temporários. Só São Paulo conta hoje com mais de 80 mil profissionais deste tipo.

Porém, se a maioria dos docentes gosta da profissão e a escolheria novamente se tivesse nova oportunidade, por que existe essa falta de professores?

Tudo indica que as pessoas com mais tempo de carreira ainda vislumbram um futuro para a educação no país. Mas, ao que parece, a profissão perdeu o brilho que despertava em gerações anteriores e não é mais vista pelos jovens como uma atividade na qual vale a pena investir.

Assim, os mais experientes um dia se aposentam e deixam livre vagas que podem demorar a serem preenchidas por profissionais mais novos. E isso só dificulta ainda mais a busca por melhorias no ensino do Brasil, como explica muito bem Maria do Pilar Lacerda na reportagem do Fantástico: “A prioridade é o professor, porque nenhuma mudança na educação acontecerá sem o professor ou contra o professor”.

Acesse a matéria do Fantástico na íntegra aqui.

Um comentário:

  1. Eu acho que essas respostas foram influenciadas pela onda do políticamente correto. Pega mal pra um professor dizer, ou até mesmo pensar, que gostaria de fazer outra coisa.

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